Jejum intermitente auxilia ou interfere nos treinamentos?

Vamos começar a falar sobre esse assunto através dessa frase: ficar muito tempo sem comer pode causar graves desequilíbrios no organismo! Estudos com animais mostraram que o jejum prolongado alternado com alimentação excessiva pode alterar o funcionamento da insulina, o hormônio que facilita a entrada e o metabolismo de glicose nas células, favorecendo o surgimento do diabetes. É isso mesmo, estudos com animais, isso significa, que a maioria dos estudos encontrados sobre esse assunto, é com animais e não com humanos, mais difícil ainda falar algo sobre isso, mas como a maioria das pessoas não estão preocupadas com a saúde, mas sim esteticamente, como diz o ditado: “ o que vale, é emagrecer”, vamos explicar em um resumo se isso funciona nos treinamentos.

A prática de exercícios físicos em jejum pode influenciar nos parâmetros dos protocolos de treinamento, principalmente intensidade, duração e é claro, também no resultado final, além da percepção subjetiva do esforço (PSE) realizado. O jejum promove a redução na concentração da glicose sanguínea e nos estoques de glicogênio, o que pode influenciar diretamente na intensidade do exercício físico, uma vez que esses fatores são predominantes em exercícios de elevada intensidade.

Um estudo realizado por Natalício et al (2015), a respeito do “efeito de 12 semanas de treinamento aeróbio em jejum sobre o emagrecimento, do qual foi realizado com 33 voluntárias que foram submetidas a um protocolo de treinamento aeróbio em esteira elétrica, divididas em 3 grupos: um dos grupos realizou o exercício proposto em jejum (GJ), no período pós-absortivo, enquanto o outro grupo realizou o mesmo exercício e o mesmo trabalho, mas em estado alimentado (GA). O terceiro grupo realizou o mesmo trabalho dos outros grupos, mas com elevada intensidade (GEI), no estado alimentado. Ao término do período de treinamento, a capacidade aeróbica e a composição corporal foram reavaliadas. Nos resultados finais ocorreram perdas na amostra em todos os grupos. No GJ a perda foi de cinco voluntárias, que segundo relatos ocorreu devido ao desconforto causado pela pratica em jejum, fadigas durante os treinos, dores abdominais e falta de motivação para a prática. No GA a perda foi de três voluntárias, que relataram desmotivação pela prática, ou não apresentaram quaisquer justificativas. Já no GEI a perda foi de duas voluntárias, que não apresentaram justificativas para a desistência em participar do estudo.  De acordo com os resultados encontrados neste estudo, praticar atividade aeróbica em jejum não proporciona maior emagrecimento. Assim, tal comportamento não deve ser prescrito ou encorajado, uma vez que pode gerar maior desconforto e desmotivação durante a prática de exercícios aeróbicos”.

Existem outros estudos com dois grupos de pessoas: pessoas que utilizaram shake de carboidrato antes de fazer exercícios e pessoas que fizeram exercícios em jejum. O resultado final em queima de calorias foi o mesmo, a diferença é que com o tempo essa forma de treinamento em jejum, pode causar sérios danos à saúde.

Resumindo, a diminuição na intensidade do exercício determinada pelo estado de jejum também pode diminuir os ganhos na capacidade aeróbica dos praticantes, e consequentemente trazer menos benefícios para a saúde do indivíduo submetido à prática regular de exercícios aeróbicos. Também é possível concluir que a atividade física pode não ser eficiente no processo do emagrecimento quando não é acompanhada de uma dieta hipocalórica. Ainda, a ausência de estudos específicos sobre o tema, e o mais recomendado é procurar sempre um profissional capacitado na nutrição, para fazer uma dieta adequada e saudável e na prescrição de exercícios, um profissional de Educação Física para prescrever um treinamento adequado.


Referências: NATALÍCIO, Pryscila Angélica Silva et al. Efeito de 12 semanas de treinamento aeróbio em jejum sobre o emagrecimento. O mundo da Saúde. São Paulo, 2015.

Autoria: Jenifer Klein


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